Educação E Aprendizagem Corporativa

Educação E Aprendizagem Corporativa

A educação e aprendizagem corporativa pode ajudar as organizações a conviverem com um futuro que já chegou.

Em seu ensaio datado de 1930, John Maynard Keynes previu um futuro de “desemprego tecnológico” e jornadas de trabalho 15 horas semanais. Isto foi considerado utópico na época, mas as mudanças que vivenciamos quase 90 anos depois demonstram que Keynes era um visionário. O futuro que ele imaginou já está aqui: só não está uniformemente concretizado.

Fábricas cheias de robôs, automação de tarefas comuns, enquanto os seres humanos são cobrados para definir estratégias sofisticadas de competitividade não é mais um exercício de imaginação: é a nossa realidade. Junto com este cenário há que se considerar o deslocamento da população ativa, com a força de trabalho envelhecendo rapidamente nas nações desenvolvidas, enquanto as economias emergentes lutam para assimilar um número recorde de jovens trabalhadores. E cada vez mais se estimula indivíduos a trabalharem em carreira solo, emprestando seu trabalho — física ou intelectual, online ou pessoalmente — para uma variedade de empregadores mais exigentes e menos dispostos a gastar.

Com a crescente falta de fé nas instituições públicas, o cenário piora e a estrada que conduz ao futuro do trabalho se torna cada vez mais instável. Mas se os líderes organizacionais eles podem aprender a direcionar seus esforços de forma a alavancar através de sua força de trabalho a antecipação e preparação para o surgimento de novos desafios. É a educação e aprendizagem corporativa se instaurando em todos os níveis das organizações.

Um modelo para entender o futuro do trabalho

São três as forças que estão moldando o mercado de trabalho futuro: os avanços tecnológicos; as alterações demográficas, com pessoas vivendo mais e com mais qualidade; e o poder das redes sociais, transformando as relações entre clientes e fornecedores com uma acessibilidade em escala global.

Estas três forças motrizes têm dois efeitos significativos sobre o mercado de trabalho. Primeiro, a tecnologia está transformando a natureza do trabalho e forçando as organizações a redesenhar a maioria dos postos de trabalho. Um resultado disto é a reconfiguração de empregos para alavancar competências exclusivamente humanas: empatia, inteligência social e emocional, a capacidade de definir contexto e definir os problemas do negócio. Outro efeio, devido ao ritmo acelerado das mudanças tecnológicas, é a necessidade de os indivíduos aprenderem continuamente novas habilidades de empregabilidade, dentro ou fora das organizações onde estão.

Entender o ritmo acelerado da evolução da tecnologia como oportunidade é parte da estreatégia de sobrevivência neste cenário. A oferta de mão-de-obra está rapidamente evoluindo globalmente como resultado da mudança de demografia, mas sua capacitação não! E novamente a educação e aprendizagem corporativa se tornam vitais para reverter esta situação.

Tarefas de rotina serão cada vez mais automatizadas, enquanto o trabalho criativo, auxiliado por tecnologia, se torna a resposta natural a uma gama crescente de necessidades não atendidas. A mudança de tarefas de rotina para trabalho mais criativo está proporcionando o surgimento de empregos de híbridos que integram cada vez mais técnicas, design e as habilidades de gerenciamento de projetos. As competências específicas demandadas serão provavelmente provenientes de diversos domínios, aumentando a necessidade de dinamizar os processos de educação e aprendizagem corporativa para que ambos – indivíduos e empregadores – permaneçam à frente do jogo.

Os direcionadores da nova economia

Nos próximos anos, três fatores deverão conduzir o crescimento rápido da economia. Em primeiro lugar, como as empresas enfrentam uma pressão crescente de desempenho, elas terão mais incentivo para converter os custos de trabalho fixo, na forma de funcionários permanentes, em trabalho variável conforme a variação da demanda de negócios.

Em segundo lugar, os trabalhadores provavelmente cada vez mais buscarão experiências de trabalho, expondo-se aos mais diversos projetos, o que os ajudará a se desenvolverem mais rapidamente do que em uma carreira com um único empregador. Reforça esta visão o estudo recentemente conduzido por economistas de Harvard e Princeton que mostrou que 94% do crescimento do emprego líquido nos EUA, de 2005 a 2015, foi em trabalho alternativo, definido como freelancers e contratantes independentes. Outro estudo, de 2014, estima que 53 milhões pessoas são freelancers nos EUA (34% da força de trabalho nacional), com 1,4 milhões de freelancers no Reino Unido.

Um terceiro fator é o desejo dos trabalhadores que são marginalizados ou subempregados — trabalhadores mais jovens nas economias em desenvolvimento, trabalhadores mais velhos nas economias desenvolvidas e os trabalhadores não qualificados ao redor do mundo — de encontrar alguma atividade mais rentável, mesmo que não seja emprego de tempo integral.

Neste cenário de trabalho, o sucesso pessoal dependerá em grande medida da aceleração da aprendizagem ao longo da vida. Como aprendizagem se torna imperativa, os trabalhadores precisarão agir no seu próprio interesse para aumentar seu potencial de sucesso. Mas o impacto dos seus esforços será significativamente influenciado pela vontade e capacidade das empresas e outras instituições, como sindicatos e associações profissionais em dar suporte e direcionamento à educação e aprendizagem corporativa.

Como a rápida mudança tecnológica e mercado diminui o tempo de vida útil de qualquer conjunto de conhecimentos, trabalhadores precisarão adquirir habilidades novas e essenciais. Indivíduos precisarão se capacitar mais rápido. Isto, no entanto, tem sido ainda muito pouco explorado pelas instituições de ensino tradicionais. Daí a oportunidade que surge para sindicatos e associações profissionais, melhor conhecedoras das reais necessidades de seus afiliados.

Como em qualquer transição disruptiva, tendemos a sentir medo e estresse, gerando um impulso para manter o que tem sustentado o nosso sucesso passado. Devemos resistir a essa tentação e usar as mudanças na natureza do trabalho e emprego como uma oportunidade para alcançar nosso potencial.

Implicações para as organizações

Os empregadores podem ajudar indivíduos ao longo desta jornada por moldar e incentivar os indivíduos a aprender mais rápido e acelerar sua melhoria de desempenho.

Este é talvez o maior desafio para as empresas na próxima década: como planejar o redesenho e reinvenção do trabalho para combinar os recursos de máquinas e pessoas, criar empregos significativos e carreiras e ajudar os funcionários através de programas eficazes de educação e aprendizagem corporativa. Mas se o caminho para isto não for claro, o uso de parceiros na construção destes projetos não deve ser descartado: associações patronais, sindicatos, empresas de treinamento etc.

Osmar Rezende de Abreu Pastore


osmar1Prof. Mes. Osmar Rezende de Abreu Pastore

Mestre em Administração com ênfase em Gestão Internacional pela ESPM – Pós-Graduado em Finanças – Bacharel em Engenheiro Civil pela UFRJ; MBA em Administração pelo COPPEAD-UFRJ; Bacharel em Administração pela UAM; Mestrado no Programa de Gestão Internacional da ESPM. Professor de Cursos de Graduação e Pós em Sistemas de Informação, Administração, Gestão de Marketing e Vendas, Logística e Engenharia de Produção em instituições de ensino como PUC-RJ, UNISA, Universidade Anhembi Morumbi, Universidade Braz Cubas e ESPM. Educador corporativo, consultor de empresas e empresário. Conselheiro da OSCIP (ONG) Conselho Nacional de Defesa Ambiental – CNDA. Diretor Presidente do Instituto Brasileiro de Apoio À Pequena E Média Empresa – IBRAPEM.