Monitoramento Em Consultoria

Monitoramento Em Consultoria

Sem monitoramento qualquer projeto é dinheiro jogado fora. E projeto monitorado adequadamente soma pontos à imagem do consultor. Monitorar é alavancar resultados positivos.

Alguns consultores não percebem que em diversos projetos maus hábitos podem ser a causa de suas dificuldades. Quando se toma cuidado com o monitoramento em consultoria quase todo o resto funciona. Então, o caminho para o sucesso no trabalho em consultoria organizacional é o bom monitoramento, isto, é, a qualidade da medida de tudo que está envolvido no projeto.

O que o bom monitoramento em consultoria proporciona

O bom monitoramento em consultoria pode transformar sua imagem de consultor provocando a alavancagem dos resultados que você pode gerar para qualquer organização. O monitoramento em consultoria bem feito tem o poder de focar nossa atenção no que importa mais e alinhar o esforço do trabalho na mesma direção. Mas raramente isto é feito de forma adequada.

Há algumas razões para que esta prática não seja executada de forma adequada:

  • Os clientes parecem não saber o que querem;
  • Os objetivos do trabalho parecem imensuráveis;
  • É difícil encontrar medidas significativas e relevantes;
  • O cliente não parece envolvido com a medição;
  • O tempo e o esforço na coleta de dados, preparação, análise e apresentação de relatórios parecem não agregar valor para o cliente.

Mas não cai nas armadilhas que podem lhe levar a menosprezar o monitoramento em consultoria. Se você não gosta desta atividade, ou a acha difícil, lembre-se das 5 boas razões para ser um consultor.

Os maus hábitos no monitoramento

Existem alguns erros que têm se tornado muito comuns. Começamos pela falha na especificação de nossos objetivos e metas. Usamos uma linguagem presunçosa e tão vaga que realmente não fica claro qual resultado estamos tentando medir ou atingir. Se você não tem um resultado específico e claro, é muito difícil encontrar uma medida significativa para acompanhar.

Outro erro que cometemos ocorre quando usamos o brainstorming para escolher nossas medidas. O debate não é uma boa abordagem para definição de medidas – é uma ferramenta de criatividade! Para encontrar boas medidas, você precisa buscar as melhores evidências de que seu objetivo esteja sendo alcançado, reduzindo-as de forma objetiva. Não vai querer ampliar demasiado a série de coisas possíveis que podem até mesmo acabar por não ter uma mínima relação com aquilo que se está tentando alcançar. Poucos dizem isto abertamente, mas o brainstorming às vezes atrapalha.

Outro erro que cometemos na medição de desempenho é impor nossas ideias sobre o pessoal do cliente ligado ao trabalho de consultoria, mas sem envolve-lo realmente no processo. Chegamos com um monte de medidas para um grupo de pessoas, apresentamos nosso fundamento sobre elas e pedimos que as usem. E então nos perguntamos por que as pessoas não se apropriam verdadeiramente dessas medidas? Elas acabam por não as usar, reclamam, manipulam os dados para fazer as medidas parecerem boas, ou até se comportam de uma forma que as metas são atingidas, mas à custa de outros resultados importantes. Isto pode parecer contrário ao item anterior, mas não é! Se você acredita no que propõe, precisa dedicar tempo para conseguir o consenso dos outros, mesmo que não concordem inicialmente com o que propõe.

Metodologia ajuda, mas não é garantia de sucesso

Nos meus trabalhos iniciais de consultoria, fui procurar uma metodologia para me ajudar. Talvez isto tenha sido fruto de minha formação inicial em engenharia. E lembrei de Einstein, o autor de uma definição de insanidade bem difundida: fazendo a mesma coisa várias vezes, esperar resultados diferentes. Por isso, quando não obtive sucesso testando algumas metodologias, busquei fazer algo diferente para melhorar os resultados alcançados. Se não dava certo, então eu saia à procura de algo diferente.

Uma das boas descobertas que fiz foi o Balanced Scorecard e a melhor forma de aplica-lo. É algo que foi desenvolvido na década de 1960, mas funciona, ao contrário de muitos modismos que se encontra diariamente à procura de cobaias. E a procura não terminou: usei e tive sucesso com metodologias de melhoria de processos, como o Seis Sigma. Mas não encontrei nada que garantisse o resultado em todas as ocasiões.

Então percebi que as metodologias, ou estratégias de medição, não oferecem atalhos de sucesso incondicional. Tive que criar algo que me ajudasse com as diferentes dificuldades dos clientes e as minhas próprias limitações ocasionais. O resultado foi um sistema amplo que abraça com diferentes ênfases técnicas de gestão da qualidade, processos de melhoria continuada, abordagens contingenciais (como a tecnologia do espaço aberto), PNL e indicadores estatísticos. Nenhuma destas técnicas com garantia de resultado certo, mas com scripts bem definidos que podem ser usados para aumentar o envolvimento dos clientes e a chance de gerar resultados atraentes em todas as áreas: pública, privada ou no terceiro setor.

De volta ao foco inicial

Um dos segredos para o sucesso do trabalho de consultoria é a definição de fatores críticos de sucesso – objetos de monitoramento – e seu controle subsequente. Mas isto envolve um delicado processo de tentativa e erro. Aquilo que funciona bem em um ambiente, não funciona em outro semelhante e boas práticas podem ser exportadas de um ambiente de negócios para outro. Mas a paciência em testar é fundamental.

Não se deve tocar consultoria de forma totalmente ad-hoc e construir uma estratégia global, a partir de diversas experimentações, vai melhorar seus resultados e de seus clientes nos próximos trabalhos. Mãos à obra.

Osmar Rezende de Abreu Pastore


osmar1Prof. Mes. Osmar Rezende de Abreu Pastore

Mestre em Administração com ênfase em Gestão Internacional pela ESPM – Pós-Graduado em Finanças – Bacharel em Engenheiro Civil pela UFRJ; MBA em Administração pelo COPPEAD-UFRJ; Bacharel em Administração pela UAM; Mestrado no Programa de Gestão Internacional da ESPM. Professor de Cursos de Graduação e Pós em Sistemas de Informação, Administração, Gestão de Marketing e Vendas, Logística e Engenharia de Produção em instituições de ensino como PUC-RJ, UNISA, Universidade Anhembi Morumbi, Universidade Braz Cubas e ESPM. Educador corporativo, consultor de empresas e empresário. Conselheiro da OSCIP (ONG) Conselho Nacional de Defesa Ambiental – CNDA. Diretor Presidente do Instituto Brasileiro de Apoio À Pequena E Média Empresa – IBRAPEM.